| Afastada dos modismos, OAEOZ aposta em canções maduras e verdadeiras | ||||
| * Fernando Rosa | ||||
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Em texturas que misturam rock clássico, Neil Young, toques de Fellini,
algo de música regional e até mesmo erudita, a banda curitibana vai
contando a saga dos dias de seus contemporâneos. As letras sintonizadas com
os climas apaixonados e apaixonantes das canções falam de sentimentos de
perdas e conquistas, da vontade de se fazer o que quiser, de viver o
presente sem sentir medo. O instrumental anda em plena sintonia com a
poesia, com destaque para as nervosas guitarras e as intervenções de
piano. Atualmente, a banda é composta por Ivan Santos (vocal e composição),
André Ramiro (guitarra), Carlos Zubek (guitarra), Hamilton de Lócco
(bateria) e Rodrigo Montanari (baixo e voz). O disco foi lançado pelo selo
De Inverno Records, dirigido por Ivan e pela jornalista Adriane Perin,
responsável pelo festival De Inverno e por diversos lançamentos locais. Além
da qualidade musical, o álbum ganhou uma apresentação eficiente e bonita,
com capa mostrando o Pico do Paraná (em foto de André Ramiro) e encarte
contendo as letras e ficha técnica. Ivan
Santos - Acho que uma das coisas mais importantes que aconteceram na
produção musical independente brasileira nos últimos anos foi a
proliferação da diversidade com qualidade. Bandas como Pipodélica (SC),
Hurtmold (SP), Mopho (AL), Blanched (RS), Deus e o Diabo (RS), La Carne
(SP), Casino (RJ), Phonopop (DF) – pra ficar só em algumas que tocaram
com a gente por aqui – mesmo tendo influências e estilos completamente
diferentes, tem em comum a busca por uma identidade musical própria,
autoral. Cada uma dessas bandas e muitas outras buscaram seus próprios
caminhos, independente de padrões ou fórmulas, seja do mainstream ou do
underground. O resultado é que hoje, não se pode dizer que haja na
produção independente do Brasil um estilo dominante, o que na minha
visão, é ótimo. O OAEOZ, modestamente, se insere nesse contexto. A gente
sempre teve em mente fazer música com total liberdade, sem se preocupar se
aquilo seria ou não bem aceito entre esse ou aquele segmento do público e
da mídia. E como isso significava andar com as próprias pernas desde o
ínicio a gente procurou se virar sozinho. Se não tem gravadora, a gente
cria um selo e produz os próprios discos. Se não tem onde tocar, nós
organizamos um festival – o Rock de Inverno. E por aí vai. E assim foi
também com o nosso novo CD – ‘As Vezes Céu’ – produzido por nós
mesmos com a ajuda de amigos, e que reflete o amadurecimento desse
trabalho, tanto de produção – é com certeza nosso disco mais bem
acabado – como em termos de composição. Senhor F - Diante do quadro de dificuldades da cena independente
atual, como vocês estão se virando para divulgar o álbum? Como são as
coisas em Curitiba; o disco toca no rádio? E os espaços para tocar,
considerando que o som de vocês extropola a definição de rock, em seu
sentido mais clássico? Ivan Santos - As dificuldades são as comuns enfrentadas
pela maioria dos artistas independentes – ainda mais quando você se
propõe a fazer algo diferente, desconectado dos hypes e modinhas em voga.
Mas como eu disse, a gente nunca esperou nada de ninguém. Estamos
divulgando o disco por conta própria, e vamos tentar fechar acordo de
distribuição com distribuidoras independentes. Tocar no rádio em
Curitiba, só em programas segmentados, como o ‘Geração Pedreira’, da
rádio 96 FM, que é apresentado pela Mariele Loyola (Cores D Flores).
Recentemente também surgiu uma rádio nova a Lumpen FM, que é dirigida
pelo Ciro Ridal, o mesmo cara que fazia o ‘Todos os caminhos do rock’ na
Rádio Educativa, e está se propondo a também tocar bandas da cidade.
Sobre espaços pra tocar, existem e até em número razoável, mas a maioria
é precária. E os que têm um pouco melhor de estrutura muitas vezes não
abrem pra propostas mais autorais, como é o nosso caso. Como sempre,
partimos nós mesmos para a produção dos shows. Vamos fazer o lançamento
do CD no teatro Paiol, mantido pela prefeitura, em 28 de maio. Senhor F - Como vocês vêem a cena independente nacional
atualmente, em termos de divulgação, especialmente? Dentro desse quadro,
quais os planos da banda para Curitiba e para o país? Alguma idéia de
turnê por outros estados para divulgar o trabalho? Ivan Santos - Nossa prioridade hoje é divulgar o trabalho
fora. Tanto que no próximo dia 1º de abril estamos indo a São Paulo, para
dois shows lá, ao lado do Íris, outra banda daqui. Vamos tocar no Centro
Cultural de São Paulo, às 19 horas, e depois, às 23 horas, no OUTS, na
rua Augusta, junto com as bandas La Carne e Fud. E a idéia é na
seqüência fazer o maior número de shows possíveis em outros estados,
aproveitando os contatos e amizades que a gente já fez ao longo dos anos.
Em novembro, tivemos a oportunidade de tocar no quarto festival Demosul, em
Londrina, junto com outras 30 bandas, entre elas Relespública e Mundo
Livre. Ivan Santos - No momento estamos tentando
conseguir patrocínio para realizar o sexto Rock de Inverno. Temos um
projeto de lei de incentivo federal aprovado há dois anos, mas nunca
conseguimos captar recursos através dele. Por enquanto, porém, não
tivemos nenhum retorno positivo mais concreto e o fato, infelizmente, é que
se não rolar patrocínio, o festival corre o risco de não acontecer este
ano, pois não temos mais como tirar dinheiro do bolso pra fazê-lo, como
aconteceu até hoje. A princípio a idéia é fazer entre julho e agosto, em
local ainda a definir. A escalação é a última coisa que a gente define. De
Inverno Records |
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