'Vol 4', novo disco da banda Repolho atinge marca de 2.000 downloads
* Fernando Rosa

O novo disco dos chapecoenses Repolho, Vol 4, atingiu a marca de 2.120 downloads em Senhor F Virtual. Um número expressivo para a cena independente, o fato mostra a popularidade da banda, dona de uma carreira coerente e fora dos espaços mais nobres da midia musical. O disco foi lançado por Senhor F Discos - e também por Os Armênios e Pisces Records. (p> Entrevista

Senhor F traz entrevista especial com a banda, feita por seus próprios integrantes. Segundo deles, funciona mais ou menos assim: a banda Repolho resolveu entrevistar a banda Repolho. Por que deixar os jornalistas fazerem um papel de idiota se a gente pode fazer isso tão bem? A proposta é essa, nós mesmos perguntamos e nós mesmos respondemos.

A banda Repolho atualmente é composta por Demétrio e Roberto (Irmãos Panarotto) Anderson Birde e Marcelo Mendes. "Definimos que cada integrante faria três perguntas para os outros três responderem. Confira abaixo", dizem. O título da entrevista, também segundo eles, foi sampleado de uma seção da revista Mad criada pelo Al Jaffe.

A entrevista, por eles

Demétrio Panarotto (guitarrista) - Com que instrumentos vocês se apresentam? Têm preferência por alguma marca em especial?

Anderson - Com os desafinados. A marca preferida é a do biquíni fio-dental.

Roberto - Todo instrumento é um instrumento. E isso é muito importante numa apresentação ao vivo: ter os instrumentos. No meu caso, um guarda chuva, um microfone e um teclado.

Marcelo – Eu me apresento com um baixo. Marca, eu tenho uma, de nascença, que é a minha predileta – é na palma da mão.

Produtor da banda – Eu estou tentando um patrocínio tão bom quanto a banda e as negociações estão avançando. Se tudo correr bem, os próximos shows serão apresentados por uma marca de respeito.

Demétrio Panarotto (guitarrista) - Quando vocês se apresentam, que não é sempre, fazem alguma exigência para o camarim?

Roberto - Todas. Mas sempre confundem bergamota com poncan. Poderia desenvolver uma tese relatando as diferenças. Mas os produtores de show não se interessam por essas coisas.

Marcelo – No meu caso, eu exijo um camarim, antes de exigir coisas para o camarim. Depois, eu exijo um palco na frente do camarim, e uma platéia na frente do palco.

Anderson – Que nunca falte um aquário com peixes ornamentais.

Produtor da banda – A gente sempre sugere algo, mas tá difícil de fechar os shows... Vamos por partes... Uma coisa de cada vez.

Demétrio Panarotto (guitarrista) - O que vocês acham do cenário musical contemporâneo?

Roberto - Contemporâneo. Marcelo – Eu acho muito bom.

Anderson – Essa eu não sei. Eu nem conheço essa banda. Por que não pergunta se vai chover na próxima Efapi (exposição feira agropecuária da região)?

Produtor da banda – o que significa contemporâneo?

Anderson Birde (Passarrrinho) (baterista) - Vocês acham que as aulas de meditação tântrica estão contribuindo para melhorar a performance musical e artística da banda?

Marcelo – Com certeza, contribuem. Mas de qual banda você está falando?

Roberto – Acredito que a resposta é tão óbvia que nem merece uma resposta.

Demétrio – Eu até agora não vi diferença.

Produtor da banda – O Marcelo Mendes é o único que se esforça nas aulas de meditação quântica, os outros integrantes acho que ainda não entenderam a proposta.

Anderson Birde (Passarrrinho) (baterista) - Por que os músicos são ou estão ficando gordos?

Marcelo – Visual é tudo hoje em dia. A exigência da banda é que não podemos ficar abaixo dos 100 quilos, tudo em nome da beleza. São sacrifícios que os artistas devemos fazer para ficar na mídia...

Roberto – Nessa era digital o que vale são as imagens em alta resolução com muitas pizz... pixels. É o que tentamos proporcionar ao público. Nós tínhamos um baixista que era um gif animado, mas acabamos demitindo.

Demétrio – Um prazer estético.

Produtor da banda – Já tentamos tudo que é tipo de regime. Vamos ter que apelar pra tecnologia. Com as últimas técnicas do fotoshoping televisivo, conseguiremos fazer com que eles apareçam mais magros, ao menos nos programas de TV.

Anderson Birde (Passarrrinho) (baterista) - Por que uma banda que não ensaia, que não sabe tocar direito, nunca faz shows, os integrantes não moram na mesma cidade, nunca ganharam dinheiro tocando, não faz sucesso nas rádios, nunca tiveram várias mulheres... ainda existe?

Marcelo – Fale por você: eu sei tocar direito, faço shows regularmente, moro na mesma cidade, ganho rios de dinheiro tocando, faço sucesso nas rádios e sempre tive centenas de mulheres. Aliás, Repolho é isso aí.

Roberto – Tenho costume de me apropriar da frase: “tudo o que é bom dura pouco”. Nunca uma premissa foi tão certeira com a ainda existente banda Repolho. Se fosse bom já teria acabado. Ainda nos divertimos muito (quando as coisas acontecem) e isso é o que importa. Já que todo o restante foi muito bem observado pelo Anderson na pergunta. Algum objetivo teria que ter.

Demétrio - Acho que o Repolho existe por insistência. Insistimos em não querer tocar a qualquer hora, tocamos quando temos vontade e também, se possível, quando o espaço tem a ver com a nossa proposta. Essa coisa de “o artista tem que estar onde o povo está” é coisa de produtor, de gravadora e de quem se submete. Acho que não teríamos paciência para fazer vinte e cinco shows por mês, trezentos shows por ano, isso é escravidão, e uma banda, depois de se submeter a um martírio desses, nem sei se sobra algo na proposta artística.

Produtor da banda – Esse entrevistador é um bosta, isso não é pergunta que se faça. Só quer gerar intrigas entre os integrantes da banda.

Roberto Panarotto (cantor ) - Por que o Repolho não afina os instrumentos (para tocar ao vivo ou gravar os discos). Todo mundo diz que é porque não sabem afinar ou tocar direito. Isso é uma verdade?

Demétrio – Só sei que não existem “verdades absolutas” a respeito da banda, pode ser, como não pode ser. E como diria um locutor de rádio AM de Chapecó, natural da linha Alto Camboim, “no repolho as verdades são lendas” - ah, não sei se altera o entendimento, mas o locutor era fanho.

Anderson – É, ainda não aprendemos a tocar nem afinar os instrumentos. O que no nosso caso ajuda a diferenciar dos demais músicos, tornando-nos único. Nossa evolução musical não está diretamente ligada aos instrumentos musicais.

Marcelo – Eu acho que a afinação é superestimada. Ser afinado é estar dentro da tonalidade ocidental, da escala diatônica maior, esquecendo que há outras formas de conceber tonalidade, como a chinesa ou a africana. Em outras palavras: é verdade, não sabemos afinar; o que não falta é desculpa.

Produtor da banda – Pra que afinar os instrumentos se o público é surdo. E os que não estão surdos estão bêbedos e com grande possibilidade de ficarem surdos.

Roberto Panarotto (cantor ) - E a Colonagem Cibernética? Vocês são colono mesmo (de planta pé de alface e de tira tatu da toca) ou é apenas merchandising?

Marcelo – Não. Na verdade, somos cibernéticos – a colonagem é só para dar o charme regional.

Demétrio – Somos tão colonos que tudo isso não passa de merchandising. E nos demos conta que isso poderia funcionar quando descobrimos os colonos de cidade grande. Pai, uma galinha!, aonde?, ali no fundo.

Anderson - Nós fazemos parte da colonagem que não esconde e não tem vergonha das raízes, mas isso não nos torna menos informados nem menos integrados ao mundo. Pelo contrário, aqui já se vende x-salada na caixinha.

Produtor da banda – Não entendi a pergunta. E pra falar a verdade, eu nunca percebi nada.

Roberto Panarotto (cantor ) - E esse rótulo de alternativos? Por que toda banda fracassada que não faz sucesso usa-o querendo valorizar o que faz?

Marcelo – Estratégia de marketing. Temos os melhores publicitários do Brasil trabalhando na questão dos rótulos. Hoje é alternativo, amanhã pode vir a ser fracassado – quando voltar a moda.

Anderson – Você já disse tudo na pergunta.

Demétrio – Fracasso total, não é para menos que a banda está fazendo meditação tântrica.

Produtor da banda – Alternativo é o caralho. Esses guris são pop.

Marcelo Mendes (baixo) - Para sua formação musical, quais os artistas que mais influíram?

Roberto – Não temos formação musical. Fiz um cursinho de carpintaria e me especializei em torno para esculpir cabo de enxada. Isso é o que importa. Formação musical só estraga os músicos.

Anderson – Amado Batista, Graforréia Xilarmônica, Public Enemy, Beastie Boys, Faith No More, Mutantes, Primus, Slayer, Sublime, Roberto Carlos, 311, Dead Kennedys, etc.

Demétrio – Já falamos e muito das influências, e acho que o mais interessante frisar é que elas são musicais, mas também vêm do cinema, da literatura, dos quadrinhos, das artes plásticas, e por aí vai.

Produtor da banda – As minhas influências são AC/DC, Pantera, Twisters Sisters, Kiss, Ramones, Marillion, Iron Baidem...

Marcelo Mendes (baixo) - Dentre as músicas da banda Repolho, qual a que prefere?

Anderson – Funke Tchuca e Abel e Cain.

Roberto – Essa pergunta é ridícula, mas com certeza a Ana Júlia é uma das minhas preferidas.

Demétrio – Isso varia bastante, cito três que me vem à cabeça agora: Lasanha (Repolho e a horta da alegria e Repolho Vol.1), Não Fui eu (Repolho Vol.3) e Novembro Chuva (Repolho Vol.4); e gosto do resultado das gravações de Abel e Caim e de Carla Fernanda (Repolho Vol.1).

Produtor da banda – Benga na Alemanha. Ninguém faz um kerbfest tão bom quanto a banda Repolho. “Peida de noite, peida de dia, peida melhor porque peida com alegria”. Tenho essa frase escrita na cabeceira da minha cama e todo dia quando acordo eu a leio.

Marcelo Mendes (baixo) - Quais foram as 15 capitanias hereditárias do Brasil?

Roberto – Não foram somente 15, foram muito mais, mas as que eu mais gosto são a Santa Maria, Pinta e Nina.

Anderson – Cosme, Miltão, Elpídio, Tekinha, Ronaldo, Wilsinho, Ferrão, Walmir, Astronauta, Markito, Janga, Décio, Palmito, Itá e Rogério Uberaba.

Demétrio – O Mendes de novo! Nessas horas eu acredito que ele realmente era vizinho do Renato Russo.

Produtor da banda – Me sinto no direito de não respondê-la. Não me meto com política e não quero tomar partido.

Pergunta genérica, feita por um internauta: Esse Vol. 4 é uma porcaria. Por que não deletaram isso em vez de distribuir pela internet?

Marcelo – Não somos egoístas: o fato de distribuir pela internet permite que muito mais gente delete o Vol. 4! É só baixar, descompactar e deletar. Em pouco tempo, espero, o disco vai estar entre os mais deletados do Brasil.

Roberto – Deletar é algo tão importante quanto fazer o download. Precisamos liberar espaço. E o aquecimento global vem contribuindo com isso tudo.

Demétrio – Fico com as respostas anteriores.

Anderson – Eu também acho.

Produtor da banda – Quem não entendeu a mensagem não deve ter coração.

O disco

Uma das bandas mais importantes da cena independente nacional, a chapecoense Repolho, chegou ao quarto disco, que lançamos em parceria com outros selos e blogs do país, neste dia 20 de outubro. "Esse é o novo disco da banda Repolho. Tudo parece novo, mas tem muita coisa ali dentro que não é", divertem-se eles no texto que acompanha o áudio e as artes. "Se fosse lançado por uma grande gravadora provavelmente ia ter uma campanha de marketing dizendo: “músicas novas, raridades ao vivo, releituras em versões impagáveis para velhos sucessos", dizem ainda. A banda Repolho, neste disco, é formada por Roberto & Demétrio Panarotto, Anderson Birde e, neste disco, Gabriel Bubu (Do Amor), no baixo - além de Marcelo Mendes.

"O lado A do disco (que só tem um lado) é formado por quatro músicas novas (que poderia ser um single, mas não " - continuam eles - e mais uma enfiada de clássicos em diversos formatos. Têm versões acústicas, feitas para um especial da MTV, no ano passado, outras "ao vivo" e, ainda, resgastes, como "Lover Caos" (em versão fita cassete). Entre os clássicos impagáveis dos irmãos Panaratto estão Carla Fernanda, Charme de Cachorro, Juvenal (a capella), Benga em Liverpool e Abel e Cain. O disco é recheado por intervenções diversas, que incluem Osmarmottas, Tyto Livi, Paranóia, Cachorro Grande, Epopéia, Girino, Fernando Strezelecki, Edu K, Alexandre Ograndi, além de outros samplers de origem "desconhecida".

O disco foi gravado em Porto Alegre no estúdio Fuinha Feliz (agora Estúdio LKR), em parceria com Osmarmotta, banda portoalegrense que também participa em algumas faixas do disco e foram os responsáveis pela gravação e mixagem. A produção ficou a cargo da própria banda e a masterização ficou por conta do Thomas Dreher. Uma das curiosidades extras do disco é a volta do baterista da formação original Anderson Birde. "Este disco não contém nenhum dispositivo contra cópias, e está disponível para download. Não compre CD original, pode ser pirata! Compre direto o pirata, dificilmente será original!".

- Baixe aqui o disco com músicas e arte.

Senhor F Virtual

O lançamento do disco da banda Repolho vem somar-se as sete edições anteriores do selo digital, em formato de "disco-cheio". O selo digital também edita singles, EPs, coletâneas latinas, a série especial "Memória Independente" e, ainda, a "Parada Senhor F", mensal. Em 2008, Senhor F Virtual atingiu cerca de 150 mil downloads, e neste ano já ultrapassou a marca dos 200 mil.

Discos Cheios (disponível para download)

01 - OAEOZ - Falsas Baladas e outras canções de estrada
02 - Radiotape – Pequenas coisas me fazem feliz
03 - Stuart – Teatro que celebra a extinção do inverno
04 - Victor Toscano - Figura e fundo (2003-2008)
05 - La Carne – Granada
06 - Tiro Williams - Tiro Williams
07 - Pedrinho Grana e Os Trocados

Memória Independente (disponível para download)

01 - Emílio & Mauro - E que tudo mais vá pro inferno!
02 - Os Pistoleiros - EP (2000)

* Fernando Rosa é editor de Senhor F e fã de carteirinha do Repolho, desde o século passado.

 
 
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Edição 54
Balanço da década: os melhores discos independentes nacionais, ibero-americanos e internacionais

Em matéria especial, a seleção do portal Senhor F, que destaca Los Hermanos, Babasónicos (foto) e Strokes. Também destaque como personagem da década, o gaúcho Wander Wildner. O Top 25 nacional e ibero-americano está disponível para baixar.

OUÇA AQUI A melhor rádio-rock da web com qualidade musical, senso radiofônico e conhecimento de causa da cena independente.







Phonopop lança single que antecede o novo disco, previsto para o segundo semestre. São as músicas 45 Rotações e Polaróides. Phonopop é Fernando Brasil, Ju, Bruno e Tharsis.
Segundo álbum do trio Sapatos Bicolores, "Quando o Tesão Bater" traz 13 canções com a marca da banda. Lançamento de Senhor F Discos & Monstro Discos, assinalando parceria dos dois selos.
Em breve, Noite Senhor F mensal, no Rio Grande do Sul. Aguardem informações sobre local, dia, horário e bandas aqui. O evento Noite Senhor F é organizado pela Produtora Senhor F.
Veja aqui o blog Senhor F Legal, com informação sobre legislação e política cultural nacional e sul-americana. Também acompanhe blogs associados, voltados para a música independente.
O programa 'Senhor F 100.9' vai ao ar na Rádio Cultura FM de Brasília, todas as quintas, das 22 às 24. Confira aqui também outras rádios e programas legais, do Brasil e de outros países.
O 'Mapa de Casas de Shows da América do Sul' é o novo projeto especial do portal Senhor F. O mapa organiza endereços das casas independentes das pricipais cidades sul-americanas.