Festa e emoção no segundo dia do festival 'Rock de Inverno', em Curitiba
* Fernando Rosa

A segunda e última noite do festival “Rock de Inverno” neste sábado, em Curitiba, repetiu a qualidade musical da primeira noite e esquentou ainda mais o palco e o ambiente da ampla e confortável casa John Bull Music Hall. Com mais público do que na véspera, natural por se tratar de um sábado, a seqüência de apresentações ampliou a vitrine do rock local, a principal razão da existência do festival desde a sua criação. Um trabalho valorizado pela curadoria da dupla Ivan Martins & Adriane Perin, e também pelo exemplar desempenho do técnico e coordenador de palco Luigi Castel, ágil, competente e gentil com as bandas que passaram pelo palco do evento.

Principal atração da noite, a esperada e clássica Fellini correspondeu à expectativa do público, mesmo os mais jovens, com um show com pegada, guitarras abertas e no talo, frescor e, claro, um desfile de “hits” indies, a começar por “Rock Europeu”. A banda apresentou-se com a formação original, incluindo Thomas Pappon em férias no Brasil (atualmente ele vive em Londres), Cadão Volpato, Jair Marcos e Ricardo, além da luxuosa presença do baterista Clayton Martins. Um show emocionante para os fãs da banda, um dos principais expoentes do rock alternativo brasileiro quando isso era algo muito distante do que assistimos atualmente.

As bandas locais, por sua vez, traduziram a riqueza musical da capital paranaense, historicamente um dos centros roqueiros mais importantes do país, desde os anos sessenta. Com um dos melhores shows do festival, a banda Mordida mostrou uma brilhante presença de palco, inventividade pop, grandes canções e riqueza instrumental, tendo a frente o guitarrista e cantor Paulo Hde Nadal. Antes mais voltada para a orientação “jovemguardista”, a banda evolui para climas mais modernos, coloridos e viscerais, que conquistaram a platéia desde o primeiro acorde.

Ruído/mm confirmou os comentários positivos que vem recebendo na mídia independente, com um set instrumental climático, mas também pesado, comandado por quatro guitarras execpcionais. Koti e Os Penitentes também fez um ótimo, divertido e mais pesado show, com suas canções esquisitas e criativas originalmente gravadas em versão lo-fi; enquanto Heitor e Banda Gentileza, que abriu a noite, mostrou que se pode transitar entre o rock e a mpb sem clonar Los Hermanos. A dupla/casal Je Revê Toi introduziu o eletro-rock na cesta de gêneros musicais oferecida pelos curadores.

Um show a parte, a paulista Lestics fechou o festival com sua requintada musicalidade, que aos poucos vai chamando a atenção da mídia especializada e do público. No repertório da apresentação, um set com seus principais temas - criados pela dupla Olavo Rocha e Umberto Serpieri – marcados por uma emocionante qualidade musical e poética. Canções como “Velho”, por exemplo, trazem a marca dos autores que buscam produzir arte e traduzir seu tempo, sem preocupar-se com velhos ou “novos” mercados.

A primeira noite

A primeira noite do festival "Rock de Inverno", em Curitiba, Paraná, foi um sucesso. Bom público, som de qualidade e, principalmente, ótimos shows, com destaque para Beto Só, Diedrich e Os Marlenes, Hotel Avenida e Nevilton. A paulistana 3 Hombres, por sua vez, "matou" a saudade dos fãs com temas clássicos e novas canções, após "um minuto de barulho" em memória de Minho K, ex-integrante da banda, morto precocemente. Com ótimos instrumentistas, a banda Liquespace abriu a noite, seguida de Pão de Hamburguer, com influências de rock nacional setentista e Mutantes, que mostrou o lado mais rock da cidade.

Natural de Umuarama, "mais perto do Paraguai do que de Curitiba", Nevilton confirmou a evidente evolução do trio, resultado de sua intensa circulação pela plataforma independente. Hotel Avenida, com um ótimo repertório, que inclui a genial "Nâo Sou Um Bom Lugar", revelou o vocalista Giancarlo Rufatto, um frontman intenso e carismático. Diedrich, ou seja, o ex-Pelebrói Oneide, e Os Marlenes, introduziram a melhor poesia-punk do rock brasileiro atual, diversão e dança no palco e na platéia. Na música "Dos Amores Mais Vendidos", outro hit curitibano (veja na Parada Senhor F, ao lado), Giovanni Caruso subiu ao palco.

O brasiliense Beto Só, que fechou a noite, fez um show elétrico, com canções de seus dois discos, acompanhado de uma espécie de "brazilian all stars" formada por Txotxa (Plebe Rude, na bateria), Rinaldo (ex-Disco Alto e atual Cine Ritz, no baixo) e Ju e Fernando Brasil (ambos do Phonopop, nas guitarras). Ao final, depois de um "bis" apenas ao violão ("Abre a Janela"), e com a banda de volta ao palco, o quinteto anunciou o "cover" de uma música que "todos sabiam cantar" e disparou "Gloria" (Them), acompanhada de Oneide, Rufatto, Nevilton e Lobão (Nevilton), Ivan (Hotel Avenida) & Adriane Perin (organizadores do festival).

Em sua sétima edição, o festival "Rock de Inverno" apresentou um conceito musical que traduz a idéia de valorizar a canção, a poesia e postura estética desses novos tempos. O festival foi criado em 2000 pelos jornalistas Adriane Perin e Ivan Santos, anfitriões do evento, que desde então fomentaram a cena independente local. Ivan também atuou à frente da banda OAEOZ, com vários discos lançados, e no momento faz parte da recém-criada Hotel Avenida, junto com Giancarlo Rufatto (ouça o single de estréia na Parada Senhor F, ao lado). Neste ano, o festival contou com o apoio do Fundo Municipal de Cultura da prefeitura de Curitiba.

Serviço

Rock de Inverno
Mostra da música independente
Festival que acontece nos dias 23, 24 e 25 de julho, chega à sua sétima edição com 17 bandas.

Programação

Dia 25/07, a partir das 20h

Heitor e Banda Gentileza
Je revê toi
Ruído/mm
Koti e os Penitentes
Fellini
Mordida
Lestics

Dia 24/07, a partir das 20h

Liquespace
Pão de Hambúrguer
Hotel Avenida
Nevilton
Diedrich e os Marlenes
3 Hombres
Beto Só

- Site oficial do festival com a programação completa.

* Fernando Rosa é editor do portal Senhor F e acompanha o "Rock de Inverno" à convite da organização do festival.

 
 
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