* Fernando Rosa
Victor Toscano é de Recife, tem 25 anos e uma mão certeira para compor belas canções lofi-folk-pop. Mas, não pense em tosqueira, e sim em sofisticação musical e poética e, ainda, em surpreendentes vocais. Ele já passou por várias bandas “de amigos”, como diz, e lançou diversos eps e discos-cheios pela internet. Agora, lança um novo single por Senhor F Virtual, com as músicas Mapa e Troca de Lar (baixe ao lado).
Senhor F entrevistou o músico por email, que fala da carreira, das facilidades proporcionadas pela internet, das suas influências e da diversidade musical de sua cidade natal. “Bom é você poder andar numa cidade onde saiba que tem um grupinho tocando dixieland num bar, tem a Nação Zumbi tocando numa arena, tem uma banda sessentista tocando noutro bairro e tem um carinha com um violão apresentando suas composições, por que não?”.
O “carinha do violão”, no caso, pode ser ele, e, se for, não deixe de vê-lo. Mas, antes, ouça Victor Toscano, aqui ao lado, no mais recente lançamento de Senhor F Virtual.
A entrevista
Senhor F – Quem é Victor Toscano? Onde vive? Quantos anos tem?
Victor Toscano - Tenho 25 anos, moro em Recife, onde nasci, e estudo Jornalismo. Comecei a tocar com uns 14 e foi por aí também que comecei a compor, gostava de encher cadernos com canções novas todos os dias (não necessariamente boas...). Já formei algumas bandas com amigos, mas estas nunca pareciam alçar vôo. Então passei a gravar sozinho em estúdios sempre que dava. Tomei gosto pela coisa e acabei montando um pequeno estúdio no meu quarto. Gosto muito de compor e sou apaixonado por todos os aspectos de gravação fonográfica.
Senhor F – Ouvindo você pela primeira vez, lembrei de quando recebi o primeiro single do Volver, em 2003. Ou seja, a surpresa de ouvir um tipo de som inesperado. Como é fazer canções voz, violão e piano em uma cidade que tem a tradição do manguebit por um lado e um novo rock indie-hard por outro?
Victor Toscano - Muito embora eu simplesmente faça música do jeito que eu gosto, acho muito massa ir contra a maré. No fundo acredito que existe público para qualquer tipo de música que se produza, sempre vai ter alguém lá achando aquilo interessante. E isso é legal. O barato pra mim é fazer músicas que me agradam, timbres que eu acho interessante, harmonizações vocais. Aí, se eu gostei, já é uma pessoa que gostou, com certeza vai haver outras que gostam também (ou ao menos a gente mantém essa fé ... haha). Bom é você poder andar numa cidade onde saiba que tem um grupinho tocando dixieland num bar, tem a Nação Zumbi tocando numa arena, tem uma banda sessentista tocando noutro bairro e tem um carinha com um violão apresentando suas composições, por que não? Tradições são legais, significa que se dá o devido valor a algo que é/foi importante, desde que não se feche só nessa coisa. Bom é conhecer mais.
Senhor F – Quais suas principais influências, nacionais e estrangeiras, na música e na literatura, já que tuas letras são acima do padrão usual? O que você gosta de ouvir, e o que mais anda ouvindo por esses dias?
Victor Toscano - Vamos lá. Beatles. É minha preferida e a única que sempre escuto sem nunca enjoar (mentira, enjôo de vez em quando, mas depois volto com a mesma paixão haha). Escuto bastante a carreira solo de Paul McCartney, Lennon, gosto de Elliott Smith, Camera Obscura, The Delgados, Emma Pollock, Sondre Lerche, entre outras coisas. Dos brasileiros gosto muito de Caetano Veloso, Los Hermanos, Chico Buarque. Hoje em dia ando escutando o novo do Marcelo Camelo e o novo da Volver. Na literatura gosto de Camus, Dostoievski ("Memórias do Subsolo" em especial), Philip Roth, Salinger, Kafka. Um autor mais contemporâneo que ando lendo ultimamente é o francês Martin Page.
Senhor F – Você tem vários lançamentos, a maioria on line, é isso? Isso é uma opção, uma falta de oportunidade, ou as duas coisas juntas? Quantos singles, eps e discos-cheios você lá lançou?
Victor Toscano - Tenho 2 eps e 4 discos-cheios. Antes de montar o home studio e os gravava em pouco tempo – geralmente quatro horas – num estúdio que eu pudesse pagar. Daí bolava uma capa e distribuía entre os amigos. Eu ponho as músicas na net porque é prático, chega até as pessoas, mesmo que elas escutem uma só música do myspace. A internet é sem dúvida a ferramenta mais eficiente para quem não tem distribuidora, não tem uma label. Aí é pôr suas músicas em todos os sites que encontrar, é deixar scraps, enviar pra pessoas, disponibilizar vídeos, virar seu próprio press agent.
Senhor F – Como você se situa no momento atual? A transição de mercado que vivemos leva para uma situação melhor para os músicos iniciantes? Ou não?
Victor Toscano - Sou bem otimista com a situação atual. Acho que se eu decidir neste momento conhecer umas cinqüenta bandas de Recife que nunca escutei antes, provavelmente conseguirei achar na net músicas de cinqüenta bandas recifenses que nunca escutei antes. Não tenho dúvidas de que essa transição de mercado é benéfica para músicos iniciantes. O que acontece é que as pessoas estão escutando mais rápido, dá um minuto de uma música no myspace a pessoa já pula pra outra, mas acho que é uma mudança de comportamento em relação à música que vem com todas as outras mudanças. Você pode escolher o que escutar, que músico conhecer, ler releases, biografias, entrevistas. A net se tornou o primeiro contato com a banda nova. Depois se descobre onde ela tá tocando, vai se conhecendo cada vez mais o repertório de determinado artista, suas composições. Nesse segundo momento já é possível uma compra de CD daquele artista, por aí vai. A internet facilita a vida de todo músico iniciante, como eu, por exemplo.
* Fernando Rosa é editor de Senhor F.
+ Próximos lançamentos de Senhor F Virtual: Laranja Freak (single) e La Carne (disco-cheio).