* Da redação
A banda paraense StereoScope concluiu as gravações de seu terceiro disco nesta sexta-feira. Já batizado de Conjunto de Rock, com produção de Philippe Seabra, o disco foi gravado no Estúdio Daybreak em tempo record. Segundo Seabra, “o terceiro disco do grupo foi gravado em uma semana, três dias mais rápido que o dos Guidis, que foi em dez dias”. Satisfeitos com o resultado, os integrantes da banda – Jack Nilson, Marcelo Nazareth, Ricardo Maradei e Daniel - destacaram a importância de produzir o disco de acordo com o conceito de despojamento que haviam pensado originalmente para o discos. "Tivemos o tempo necessário, instrumentos e equipamentos de ponta à disposição e uma parceria fundamental, sem imposições, na produção".
“Em nenhum momento a qualidade foi sacrificada e, nesse tempo curto, deu para captar todos os instrumentos num clima "ao vivo", sem metrônomo, nem auto-tune. Este “padrão de eficiência”, adequado aos tempos atuais, é resultado da política de prévio tratamento das canções e do trabalho de pré-produção implementados por Philippe Seabra. De acordo com ele, “isso é fundamental para registrar e captar a magia dos artistas sem usar manipulação digital como muleta” (leia entrevista onde ele fala mais sobre isso).
Para Fernando Rosa, sócio da gravadora, ao lado de Philippe Seabra, além do conteúdo autoral, a cena independente também precisa desenvolver uma nova política de produção musical. “A mudança de padrão tecnológico impôs uma nova relação entre artista e ouvinte, tanto para a difusão, quanto, especialmente, para a audição”, diz ele. Segundo Rosa, a produção hoje, diferente do “padrão FM” anterior, exige intimidade, som orgânico e interatividade com o ouvinte. “O selo Senhor F, com discos como os últimos de Superguidis e Beto Só, tem buscado aprimorar este conceito”, diz.
O terceiro disco do StereScope, segundo por Senhor F Discos, mais o segundo disco dos Sapatos Bicolores, em fase de finalização, serão os últimos discos da gravadora registrados no Estúdio Daybreak antes da reforma final, já prevista desde a inauguração do estúdio, há mais de 5 anos. Atualmente, no estúdio de propriedade de Philippe Seabra, músico da Plebe Rude, também são realizados diversos trabalhos, além das produção do selo Senhor F. Em varias fases de produção, passaram por lá ultimamente o artista solo Flávio Campos, as bandas Vitrine, Colina e Superaudio. No momento, Seabra também grava a trilha do novo filme com Selton Mello, "Federal".
A partir de setembro, será concluida a terceira cabine do estúdio, dando isolamento absoluto às três cabines, somando-se a já “lendária” sala de bateria. O equipamento terá um "upgrade" que adicionará aos três pre- amplificadores Avalon do estúdio já existentes, pré-amplificadores Neve e API em conjunto a plataforma de gravação Logic, rodando no sistema Symphony da marca Apogee, com conversores análogos/digitais Apogee AD16X. Esses conversores análogos/digitais são exatamente os mesmos que estúdios como Ocean Way e Air (do produtor George Martin) usam.
O terceiro disco do Superguidis será gravado com este sistema e mixado e masterizado em Nova Iorque, adianta Philippe. A masterização será feita por Scott Hull, o mesmo masterizador de discos do Garbage, Ramones, Elvis Costello, Bruce Springsteen e Paul McCartney. Nesta quinta-feira, o quarteto gaúcho grava mais um registro extra da carreira, um cover para tributo à banda Mudhoney, que sucede a versão que fizeram para Navidad en Los Santos (Natal), dos argentinos El Mató a Un Policia Motorizado.
- Veja mais imagens da gravação no fotolog da banda.