* Fernando Rosa
O disco '90°', com a banda gaúcha Walverdes é, talvez, o disco mais importante da origem dessa trajetória independente que, tendo 1998 como um suposto marco-zero, resultou no que vivemos atualmente. Numa época em que prevalecia a eletrônica, com o "hype" do drum'n'bass, e a maioria das bandas cantava em inglês, este disco era uma sinalização de que outros caminhos eram possíveis. Nos limites dos "gauleses", este disco, certamente, foi um estímulo para o surgimento, tempos depois, de bandas como Supergudis, por exemplo, além do tradicional "rock gaúcho".
Lançado pela Monstro Discos, em 1990, com produção de Iuri Freiberger, o disco com 8 faixas impactava pela sua sonoridade "raw power", agressividade estética e letras em português. "Grunge, punk e garage-rock na medida certa, com refrões pegajosos e guitarras distorcidas em alto e bom som", como diz a apresentação da nova edição. que comemora os 15 anos da banda. A reedição é do Open Field, gravadora de São Paulo responsável também por lançamentos de Bonde do Rolê, DJ Guab, Sebastião Estiva, Colorir, Lulina, Pan&Tone e Tony Da Gatorra.
"Um tiquitito mais experientes, resolvemos gravar um set menor de músicas do que registrar tudo o que estávamos fazendo. Se isso deixou o '90 Graus' com cara de EP, também fez dele um conjunto mais conciso e eficiente", diz hoje o guitarrista Gustavo "Mini" Bittencourt, um dos Walverdes, na época ao lado de Marcos Rubenich, Giancarlo Morelli e Bruno Badia - hoje, sem os dois últimos, e com Patrick no baixo. "Outro ponto importante, e também diferente do primeiro disco, em '90 Graus' reencontramos uma sonoridade mais crua e mais a ver com a essência do nosso som que está presente nas fitas cassetes lançadas anteriormente", diz ainda Mini.
"Musicalmente, cada música trazia mais evidente algum ponto das nossas influências: o Nirvana e os Pixies davam as caras em 'Câncer', 'Meu Bar' e 'Música Away'; o hardcore era o fio da meada de 1996; 'Spaghetti' denunciava o quanto andávamos escutando Supersuckers; 'Eu Vou Sobreviver' tinha um quê de Sonic Youth e um pouco da pré-historia do grunge (meio Melvins, meio Bleach). Ainda sobrava 'Vem', com um leve sabor psychobilly, que o Gian curtia bastante”, resume Mini no blog do grupo, que conta toda a história da banda.
90° – o playlist
01. Câncer
02. Meu Bar
03. Eu Vou Sobreviver
04. O Tempo Que Eu Perdi
05. Spaghetti
06. Música Away
07. 1996
08. Vem