* Flávio Ohno
O rock independente não pára de crescer e se organizar em todos os cantos do país, até mesmo naqueles mais distantes do poderoso eixo Rio-São Paulo. Prova disso é a organização e fortalecimento da cena de Cuiabá, capital do Mato Grosso, impulsionada principalmente pelo surgimento de novas e competentes bandas.
O cenário da cidade é hoje bastante diversificado, com grupos que vão do rock alternativo até sonoridades que apostam na mistura de música brasileira e shows performáticos, caso de Caximir e 47 Cromossomos. Destacam-se também o Donalua (fusion-rock), Self-Help (emo), Lazymoon (indie), Zagaia (crossover) e Revoltz (rock/pop-indie).
O trabalho desses grupos começa a render frutos para a cena local. Festivais como o Grito Rock, que rolou em fevereiro deste ano e reuniu 15 bandas locais e três nacionais, abrem mais espaço para a nova produção. Tem também o Calango, o maior festival de rock do estado, que terá mais uma edição nos dias 1, 2 e 3 de julho.
Além disso, as bandas começam a expandir seus horizontes, apresentando-se em outros estados. Nessa situação encontram-se o Fuzzly, que se apresenta no Bananada, que rola em Goiânia, de 20 a 22 de maio, e o Vanguart, que além de tocar no festival goiano está escalado também para a III Super Noites Senhor F, que acontece em Brasília, na sexta e sábado, paralelo ao Bananada, e o MADA, em Natal (RN), de 26 a 28 deste mês.
Os integrantes do Vanguart esperam que seus shows nas três cidades sirvam para mostrar que Mato Grosso também produz música jovem de qualidade. Leia a seguir a entrevista que a banda concedeu por e-mail a Senhor F.
ENTREVISTA / Vanguart
Senhor F - Desde quando existe a banda, como foi formada, quem faz parte e quais as principais influências?
Vanguart - A banda existe desde 2002. Iniciou como ‘one man band’, na qual o Helio compunha e gravava tudo por conta própria, tendo algumas participações de convidados. Este álbum foi intitulado ‘Ready to...’. Pouco tempo depois, foi gravado ‘The Noon Moon’, também apenas com Helio, que gravou com a ajuda do Reginaldo Lincoln.
Ao iniciar as gravações, não havia intenção de apresentar o trabalho ao vivo. Mas houve um interesse de várias partes de que isso acontecesse e, assim, surgiu a primeira formação da banda: Helio, na guitarra e voz (hoje tocando violão); David Dafré, na guitarra; Júlio Nhanhá, no baixo; e Reginaldo Lincoln (do Deefor, a primeira banda de MT a tocar no Bananada, em 2004), na bateria. Hoje, a formação é quase a mesma, sendo que Douglas Godoy assumiu a bateria no lugar do Reginaldo. As influências são Bob Dylan, Beatles, Velvet Underground, Leonard Cohen, Neil Young.
Senhor F - A banda tem disco ou demo gravada? Como tem sido a receptividade à banda na cidade, no estado, e em outras regiões do país?
Vanguart - Temos um EP gravado com cinco faixas, chamado ‘Before Vallegrand’, e que será lançado em breve. Vanguart, na sua época de `one man band` produziu os dois álbuns já citados, que se esgotaram e não há previsão de serem relançados. Vemos que gradativamente estamos formando um publico fiel que acompanha a banda em todas suas apresentações. Durante festival Grito Rock, fomos eleitos ‘melhor banda’ pelo público. Embora ainda não tenhamos tocado fora da capital, conseguimos divulgar nosso trabalho por meio de sites, o que nos proporcionou a divulgação das músicas até em outros países.
Senhor F - Como é a cena rock em Cuiabá? Como são os espaços? Algum local, ou alguém, em especial, dá força para a cena?
Vanguart - A cena em Cuiabá vem crescendo muito nos últimos três anos. Ainda não vemos espaços especificamente destinados para apresentações de bandas do segmento alternativo como há nos grandes centros, porém, com muita criatividade, espaços são arranjados e as bandas têm êxito em suas apresentações, graças ao trabalho de jovens da cena local. O Espaço Cubo, instituição que vem fomentando a criação da cena local há mais de três anos, tem conseguido estabelecer pontos familiares onde aqueles que queiram possam buscar o que há de melhor na cena alternativa da capital. O Espaco Cubo é também responsável por estimular o profissionalismo nas bandas da cena.
Senhor F - Como vocês vêem a cena independente do rock nacional? E como é ser de Cuiabá, em relação à cena nacional e, especialmente, aos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro?
Vanguart - Reconhecemos alguns trabalhos que vêm sendo feitos na cena independente nacional e acreditamos cada vez mais na consolidação de um mercado exclusivamente independente. Esperamos que a cena nacional se desenvolva de forma que haja movimentações e mercado para toda forma artística. Cuiabá é geograficamente distante do eixo Rio-São Paulo, por isso ficamos contentes com as coisas que acontecem na região Centro-Oeste, em Brasília, Goiânia e Campo Grande.
Senhor F - Qual a expectativa em relação aos shows em Brasília, na Super Noite Senhor F, e em Goiânia, no clássico Bananada?
Vanguart - Esperamos mostrar de forma competente a nossa leitura da música contemporânea através das nossas canções. Esperamos que através das nossas apresentações fique claro que se produz coisas boas em Mato Grosso e que elas não estão distantes do que se encontra país afora. Vale mencionar que será a nossa primeira apresentação fora do estado e que estamos ansiosos para ver a resposta do público brasiliense e goiano.