* Marcelo Mendes
Figuras fáceis no importante festival 1º Campeonato Mineiro de Surf, o Super Stereo Surf tem o mérito de ser a única banda de Surf Music na Capital Federal, eu imagino. Com mais de 500 cópias do seu primeiro e único EP, 'Caçadores de Emoção', de 2003, rolando Brasil a fora, literalmente, a banda é hoje reconhecida pelos colegas de estilo e por vários meios de comunicação (Outra Coisa, Dynamite, Senhor F, etc), principalmente em decorrências de suas performances ao vivo.
Ainda por conta desse primeiro EP, foram elogiados pelo “cara” da Surf Music na Califórnia, Phil Dirt, dono da Reverb Central, maior entidade virtual de Surf Music do Mundo. Nesse mês, a banda vai aparecer na coletânea Rolla Pedra, com outras bandas de Brasília e, recentemente, lançaram um compacto em vinil em parceria com outras bandas (entre elas, o Autoramas). De uma conversa singela com Harsso Surf (guitarrista da banda) pelo MSN nasceu essa entrevista que se segue.
Senhor F – Que merda é essa de Surf Music em Brasília?
Harsso Surf – Boa pergunta. Depois que o Natiruts surfou no Lago Paranoá, achamos que todo mundo pode tudo. Então vamos surfar!
Senhor F – Mas qual é a definição de Surf Music? Beach Boys é surf music...
Harsso Surf – Diz a lenda que Beach Boys é. Tem cara de praia... Mas eu defino o que a gente faz assim: temas simples e grudentos com uma bateria tum-tata-tum-ta-tum no fundo. E quanto mais simples e limpo melhor.
Senhor F – Vocês têm um tempão de banda. Quando e como começou?
Harsso Surf – Começou após um show do Man... or Astroman? em Goiânia (em 2001). Eu, Roberto e M resolvemos tocar instrumental. Não sei quanto aos outros dois, mas eu só queria botar em pratica a escala pentatônica que eu tinha acabado de aprender. Como sou péssimo guitarrista, não dava pra tocar Blues. Parti pro mais fácil: Surf Music.
Senhor F – Então o Man... or Astroman? foi importante pra banda. Quais outras referências vocês tinham?
Harsso Surf – Na verdade eles não colaboraram tanto não. Queríamos algo mais limpo. Aí descobrimos o Los Straitjackets. Eles sim são a nossa maior influência.
Senhor F – E quando foi que vocês perceberam que poderiam ficar ricos e famosos fazendo esse tipo de som?
Harsso Surf – Quando tocamos num churrasco da comunicação. O churrasco estava horrível até tocarmos. O chuchu pegou fogo. Depois, tinha até mulher de calcinha na piscina.
Senhor F – Mas nessa época vocês já estavam ligados na cena que tava rolando, com outras bandas, com o Reverb Brasil e tal?
Harsso Surf – Não, estávamos isolados. Tinha o Rockacola, Gramofocas, mas não era exatamente Surf Music. Se bem que não fazia diferença, nosso lema era tocar em churrasco para beber de graça. E funcionava.
Senhor F – E quando vocês entraram em contato com essa cena? Aliás, fala aí da cena, das bandas, da Reverb Brasil...
Harsso Surf – Tudo começou navegando na internet. A (amiga) Cintia, salvo engano, achou um cartaz sobre um festival de bandas de surf em Belo Horizonte. Corremos atrás e descobrimos que havia uma cena Surf Music por lá. Logo depois fomos eu e a Cintia a um festival em Goiânia e eu auto-convidei a banda para tocar no próximo Campeonato (Mineiro de Surf). Claudão, d’A Obra e do Estrumental, topou. Assim, começamos a participar da Reverb Brasil (uma espécie de Associação Brasileira de Bandas de Surf Music). Hoje, a Reverb cresceu muito, com diversas bandas. Até a última contagem, passava de 20 bandas associadas, dentre elas GO!, Retrofoguetes, Estrumental, Surfmotherfuckers, Cochabambas, Ambervisions, bandas que tocam por aí em tudo quanto é festival independente. Esse ano, o Campeonato está com muitas bandas novas. Estamos crescendo!
Senhor F – Até hoje vocês só lançaram um EP (o Caçadores de Emoção, de 2003) e mesmo assim a banda teve uma projeção legal, com várias menções em diversos meios, inclusive uma resenha do papa da Surf Music, Phil Dirt...
Harsso Surf – Questão de sorte, eu acho. Não bolamos nada disso, as coisas aconteceram.
Senhor F – Conta aí o que aconteceu nesses 3 anos de EP.
Harsso Surf – Tocamos em dois Campeonatos Mineiros de Surfe, rolou um DFTV (programa local de jornalismo, da Rede Globo), um documentários sobre o 4º “1º Campeonato Mineiro de Surfe”, somos trilha sonora de um curta aqui de Brasília, trilha sonora do programa Super Surf, participamos de uma coletânea em vinil com Autoramas, Dead Rocks e Pscicotrópicos Deluxe, vamos sair na coletânea Rolla Pedra esse mês, com uma música inédita, e numa coletânea do Senhor F, em breve. Ufa, não tinha percebido o tanto de coisa!
Senhor F – Nesse EP, todas as músicas tinham nome de filmes (“Fuga das Galinhas”, “Te pego lá fora”, etc.). Como surgiu esse negócio de usar nomes de filme nas músicas?
Harsso Surf – Isso começou com o M, antigo baixista, e o Roberto (batera) não me deixa mudar a regra. Mas é uma idéia legal, todo mundo ao menos se liga no nome e fica curioso. Eu acho. Vai saber!
Senhor F – E pra esse ano, quais são os planos? Continuar vivendo com o EP de 2003?
Harsso Surf – Estamos gravando o novo CD, ainda sem nome. Deixamos o resto por conta da sorte e do Alex (guitarra), o único que corre atrás de show (risos). Serão 12 músicas.
Senhor F – Nesse novo CD que estão gravando vocês continuam com os nomes de filmes? Qual o critério pra escolha dos títulos?
Harsso Surf – Continuamos com os filmes. Acho que não tem critério. Sempre escolhemos durante um toró de idéias (ou brain storm) o que soa mais engraçado ou parecido com o tema.
Senhor F – Pra finalizar, uma lista dos 5 filmes mais influentes e outra com 5 discos de surf ou não.
Harsso Surf – Filmes: “Dick Trace”, “Comando Delta 2”, “Taxi Driver”, “Se meu fusca falasse” e “Jogo da Morte”. (“Dick Trace” e “Taxi Driver” vão estar no próximo disco). Discos: Beatles - Álbum branco, Ventures - The best of baixado na internet, Faichecleres - o único disco, Los Straitjackets - Damas y caballeros e Ramones - qualquer disco.