* Fernando Rosa
A banda carioca Cactus Cream é uma das revalações da nova cena, embora já tenham um bom tempo de estrada. A novidade talvez seja por conta de sua sonoridade que, agora, tem mais espaço para aparecer. Cactus Cream faz um mix de noise + psicodelia + pop da melhor qualidade, sem perder-se em nos descaminhos do "indie cabeça". Senhor F entrevistou os caras que acabam de lançar um novo EP e preparam o segundo CD, que pretendem lançar em breve. Confiram e ouçam o som da banda no site oficial e na Trama Virtual.
Entrevista
Senhor F - Vocês estão lançado um novo EP... Ele é um aperitivo para um novo disco? Quando e como foi gravado este EP?
Cactus Cream - Sim. Aliás, uma ou outra música vai estar presente no álbum. O EP 'Pequena Sinfonia de Bolso' foi gravado em agosto de 2005 no Lunatikus Studio, do músico e produtor Carlos Lyra. Basicamente o vocal, guitarra, baixo e teclado, são naturais. Ou seja, nós tocamos. Violinos e bateria, são recursos eletrônicos. Gostamos de experimentar. No próximo CD, gravaremos ao vivo,principalmente a bateria. Como sempre fizemos.
Senhor F - E o novo disco? Como estão as gravações? Qual a previsão de lançamento? Por qual selo ou gravadora?
Cactus Cream - Já temos novas composições que em alguns shows, apresentamos para o público e fãs. Começaremos a gravar o CD novo, ainda no primeiro semestre deste ano. Estamos providenciando contato com selos e gravadoras. Caso não aconteçam parcerias, gravaremos por conta própria. Não podemos estacionar no tempo.
Senhor F - A sonoridade de vocês tem uma orientação noise-guitar, com algo de pós-punk ... mas com atenção para as melodias... Com um som assim, como vocês se situam dentro da cena independente nacional?
Cactus Cream - Dentro do 'circuito musical alternativo' é possivel ter qualidade sonora. O termo 'independente' muitas vezes é utilizado, e tem que ser revisto. Na maior parte dos casos são 'dependentes'. De produtor, dono de estabelecimento, etc. Somos uma banda engajada com a qualidade.
Senhor F - Desde quando existe a banda? Com começou e quantos singles, EPs e álbuns já tem gravado?
Cactus Cream - Cactus Cream foi formado em 1995. Paulo Metello (vocalista) é o remanescente e é um dos fundadores. Houveram mudanças de músicos ao longo dos anos. Temos 2 EPs, 2 Singles e um álbum.
Senhor F - Quais são as principais influências da banda, tanto internacionais, quando nacionais?
Cactus Cream - As influências geram sempre discussões nas bandas, cada pessoa gosta de algo que o outro não curte. No nosso caso temos em igual: The Beatles, The Who, Joy Division, The Strokes, Interpol, Pixies, Sonic Youth, Ira!, Mutantes e Radiohead.
Senhor F - Quais as conexões e/ou sintonias da Cactus Cream com as bandas atuais, do Rio de Janeiro e de outras regiões?
Cactus Cream - Rola um contato bem legal com bandas de outros estados. Como por exemplo, a banda Charme Chulo, de Curitiba. Aqui, no RJ, temos contato com muitas bandas undergrounds e do mainstream também. Claro que não dá pra agradar a gregos e a troianos. Por diversas vezes, lemos ou escutamos falar que tal banda é louca ou o músico tal é 'muito doido'. Não fugimos desta regra. Eheheheheheheheh. Só que quem trabalha com a gente, sabem do nosso profissionalismo. O grande barato é ver o trabalho progredindo para o bem.
Senhor F - Como vocês estão vendo a situação das bandas diante da crise atual da indústria fonográfica? Ainda existe espaço para bandas como a Cactus Cream no mainstream, ou o lance é construir um caminho independente?
Cactus Cream - Músicos e bandas não esperam o tempo passar. Então cada um encontra alguma maneira para contornar a crise de mercado. Se não tem selo ou gravadora, grava o CD pagando do próprio bolso. Em tempos de informática, gravar em casa também é uma solução. O que deve ser combatido é a pirataria de camelô. Sobrevivência é uma coisa, exploração é outra. Existe espaço para todos. O caminho para o mainstream não é fácil, mas estamos trabalhando para solidificar nossa carreira e tocar para a grande massa. O 'caminho independente', sempre vai ser utilizado para se chegar ao mainstream.