ABRAFIN: organizar, incentivar e fortalecer a cena independente
Flávio Ohno

A Associação Brasileira de Festivais Independentes – ABRAFIN - foi criada em dezembro de 2005 em reuniões realizadas durante o # 11 Goiânia Noise Festival. Durante o Porto Musical, em fevereiro de 2006, foi aprovado seu estatuto e eleita a primeira diretoria, assim composta: Presidência - Fabrício Nobre, Festival Bananada, Goiânia - GO; Vice-presidência - Paulo André Pires, Abril Pro Rock, Recife - PE; Tesouraria - Gustavo Sá, Porão do Rock, Brasília – DF; Primeira Secretaria - Márcio da Paixão Jr., Goiânia Noise Festival, Goiânia - GO. A sede da ABRAFIN será em sua primeira gestão localizada em Goiânia - GO. Senhor F entrevistou Fabrício Nobre, que fala sobre a entidade, seus objetivos e planos imediatos. (Flávio Ohno)

Senhor F - O que é a ABRAFIN, quando e por que foi criada?

Fabrício Nobre - É a Associação Brasileira de Festivais Independentes, criada em dezembro de 2005 em reuniões realizadas durante o #11 Goiânia Noise Festival. A entidade foi criada com o objetivo de estabelecer, organizar e dar força a um circuito brasileiro de festivais de música independente. A idéia é abranger todo o território nacional, contemplando a nova música brasileira, bem como suas manifestações tradicionais. A ABRAFIN foi criada, também, para dar força e unir, produtores destes festivais no sentido na troca de experiências e tecnologias, e para busca de demandas e pautas coletivas, que interessem todos os festivais.

Senhor F - Quais são os festivais fundadores, e quem faz parte da primeira direção da ABRAFIN?

Fabrício Nobre - Os principais diretores e motivadores da associação estão espalhados por todo Brasil, no Centro Oeste, Nordeste, Sudeste, Sul... Abril Pro Rock (Recife - PE), DemoSul (Londrina - PR), Bananada e Goiânia Noise (Goiânia - Go), Ruído (Rio de Janeiro - RJ), Eletronika (Belo Horizonte - MG), Porão do Rock (Brasília - DF), DoSol (Natal - RN), Campeonato Mineiro de Surfe (Belo Horizonte), Calango (Cuiabá - MT), todos juntos estão na frente de trabalho da associação.

Senhor F - Quais são os principais associados?

Fabrício Nobre - Fora os citados anteriormente temos Jambolada (Uberlândia - MG), Grito Rock (Cuiabá - MT), Varadouro (Rio Branco - AC), Algumas pessoas tentam te fuder (Rio de Janeiro - RJ), Porto Musical (Recife - PE), Boom Bahia (Salvador - BA), Senhor Festival (Brasília - DF). Mas, em breve, devemos receber outras filiações, acho que pelo menos 10, ainda no primeiro semestre.

Senhor F - Paulo André, do Abril Pro Rock, tem dito que "a nova música brasileira passa pelos festivais independentes"? O que você acha disso? A ABRAFIN é expressão dessa realidade?

Fabrício Nobre - Sim, esse é exatamente o ponto. O palco da renovação da música brasileira, o local onde os atores da música atual mais relevante e interessante se encontram, os eventos que mais experimentam esteticamente são estes, os festivais independentes de música, muitos deles que formam o corpo da ABRAFIN, e nesse contexto que a afirmação do Paulo André faz todo o sentido.

Senhor F - O que há de novo no cenário musical, com relação aos festivais?

Fabrício Nobre - Como eu disse, já existe e está se fortalecendo um circuito nacional, onde as bandas podem viajar e tocar não apenas nos festivais, mas nas cidades, casas de shows, bares e clubes, nas cidades e regiões onde atuam os festivais. Uma nova música brasileira cada vez mais plural e interessante vem sendo forjada nestes festivais, ou em torno destes... A nova música brasileira tem como palco os festivais de música independente, que arriscam numa curadoria muitas vezes mais experimental, ligada as novidades, que busca a renovação e muitas vezes estes novos artistas tem nos festivais o único e melhor espaço para mostrar um trabalho novo, autoral, de relevância para música nacional.

Senhor F - Quais critérios de participação foram considerados na criação da entidade? A entidade reúne apenas festivais de rock, ou está aberta a outras manifestações musicais?

Fabrício Nobre - A ABRAFIN está aberta a festivais de todas as manifestações músicas, como música eletrônica (Eletronika), Surf Music (Campeonato Mineiro de Surf) e World Music (Porto Musical) por exemplo, e esperamos filiar novos festivais ainda no primeiro semestre de 2006. Os critérios ficam mais claros no estatuto da entidade, mas versam no sentido de associar festivais que tenham compromisso com cenário local onde ele está inserido, sobre o compromisso com a renovação da música nacional, o não atrelamento aos grandes conglomerados empresariais, ou aos grandes empresas de comunicação, e a intenção de trabalhar em parceria para desenvolvimento de circuito nacional de música independente.

Senhor F - Qual a previsão de abertura de adesão de novos festivais? Quem pode solicitar a sua inscrição no quadro de sócios da ABRAFIN? E como isso será feito?

Fabrício Nobre - Assim que finalizarmos toda a parte burocrática do funcionamento da entidade, que deve acontecer nas próximas semanas... Espero que até o final do mês de abril. No final do mês de maio e início de junho teremos uma reunião oficial da ABRAFIN nos dias anteriores ao festival Porão do Rock em Brasília, nesta reunião esperamos ter pelo menos mais 10 festivais associados. Podem solicitar inscrição no quadro de sócios da ABRAFIN festivais que atendam aos seguintes pré-requisitos:

- tenha sido realizado por no mínimo 03 (três) edições em 03 (três) anos consecutivos;
- tenha no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas não ligados a grandes conglomerados, gravadoras multinacionais, selos "majors” e/ou ligadas a grandes grupos econômicos de entretenimento;
- tenha no mínimo 75% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas brasileiros;
- tenha no mínimo 25% das atrações, a cada edição, formado por artistas e bandas do estado onde o mesmo é realizado;
- não seja gerido e/ou produzido por entes governamentais de quaisquer níveis (federais, estaduais ou municipais) ou ainda por quaisquer de suas secretarias;
- não tenha sua produção realizada, ou ser mantido exclusivamente por grande emissora de telecomunicações;
- não seja gerido e/ou produzido por grande emissora de T.V. ou rádio; ou grande corporação empresarial de caráter privado;

Senhor F - O que diferencia dos convencionais patrocinados por grandes empresas, e dos festivais independentes?

Fabrício Nobre - Cada festival tem seu modo de produzir, sua curadoria, sua tecnologia, mas o que estes festivais e seu diferencial são o seu compromisso com cenário local onde ele está inserido, o compromisso com a renovação da música nacional, o não atrelamento aos grandes conglomerados empresariais, ou aos grandes empresas de comunicação, e a intenção de trabalhar em parceria para desenvolvimento de circuito nacional de música independente.

Senhor F - Quais as primeiras atividades da Abrafin, no plano interno e institucional?

Fabrício Nobre - Já estão acontecendo palestras e debates sobre música independente, festivais e demais temas pertinentes sempre em paralelo com a realização dos festivais membros da entidade, a diretoria da entidade de visitado feiras, festivais e demais eventos divulgando a entidade buscando novos filiados, um boa parceria já tem ocorrido junto a MTE e sua Secretaria de Economia Solidária, já está em atividade um calendário do circuito brasileiro de festivais de música independente para 2006, e já se trabalha num calendário mais estruturado e abrangente para o ano de 2007. Algumas negociações junto a MinC e outros órgãos oficiais já tem sido propostas. E a troca de experiência, knowhow, tecnologia, e etc. entre os festivais membros da ABRAFIN tem tido resultados que beneficiam não só seus produtores, mas artistas, músicos, bandas, participantes, bem como todos os outros trabalhadores da cadeia produtiva no qual os festivais estão inseridos.

Senhor F - Como a ABRAFIN pretende legitimar a organização do cenário independente frente as instituições públicos, como o Ministério da Cultura, por exemplo?

Fabrício Nobre - Já estamos em contato com MinC, e já estamos sendo bem recebidos por este, bem como por outras órgãos do governo federal como a Secretária Nacional de Economia Solidária - MTE, que inclusive é um dos principais apoiadores no sentido da criação da Associação. E vamos nos apresentar a estes órgãos, principalmente ao MinC, mostrando a força da nossa representação em todo o território nacional e buscando trabalhar em parceria.

Senhor F - Ultimamente, os festivais tem organizado debates paralelos aos shows. O que se espera dessas discussões?

Fabrício Nobre - Na verdade, o que tem acontecido é que em todos os festivais associados, cada produtor dentro do papel de difundir e fortalecer a entidade tem programado mesas de debates, palestras, workshops no intuito de divulgar, discutir e trocar informações sobre a ABRAFIN e os festivais brasileiros de música, isso aconteceu no Porto Musica (Recife), no Ruído (Rio de Janeiro), no Grito Rock (Cuiabá - MT), e certamente acontecerá nos outros eventos membros da ABRAFIN que segue agora, Calango, Campeonato Mineiro de Surfe, Bananada e etc... Mas a próxima reunião oficial da ABRAFIN, decidida em Assembléia acontecerá em Brasília, na semana anterior a realização da #9 edição do Porão do Rock que acontece de 02 a 04 de junho. Nessa reunião, esperamos conseguir novas filiações, apresentar oficialmente a ABRAFIN ao MinC, ao Ministério do Turismo e outros órgãos oficias, fazer um grande debate com produtores e bandas independentes, e continuar as discussões pertinentes a entidade, entre outras coisas. Estamos preparando um grande encontro nessa reunião em Brasília, e em novembro ou dezembro uma Assembléia Geral da Entidade.

Senhor F - Além de coordenar os festivais, de que forma a ABRAFIN pode contribuir com o cotidiano da cena?

Fabrício Nobre - O que ABRAFIN pode fazer é estimular a criação deste circuito nacional de festivais, bem como os de shows independentes cotidianos. Os festivais-membros da ABRAFIN têm esse compromisso com a cena local, não são apenas eventos pontuais que ocorrem um final de semana por ano e depois, seus participantes e produtores param de trabalhar. Na verdade, os festivais são o resumo de um trabalho diário de produtores, bandas, músicos, pequenos empresários da cadeia produtiva da música, que vivenciam, produzem e consomem música independente brasileira o ano todo. E a ABRAFIN tem a função de e disposição para incentivar com suporte aos festivais, a troca de tecnologia e experiências, o fortalecimento dos festivais, bem como de cada cenário cotidiano em que estes estão inseridos.

Senhor F - Como será a participação da ABRAFIN na FMI 2006?

Fabrício Nobre - Ainda não definimos isso, semana passada mandei um email ao FMI 2006 propondo uma participação/parceria, mas ainda não fomos respondidos oficialmente, estamos aguardando uma resposta do FMI 2006. Devemos participar ainda da Feira da Música do Ceará, e de outras feiras e festivais ainda não filiados a ABRAFIN.

 
 
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