'Varadouro', um festival de 'passagem' para a cena do Norte
* Vinicius Lemos

No próximo dia 19 de novembro, acontece o Festival Varadouro, em Rio Branco, no Acre. A revista & agência Senhor F em parceria com o site FanRock, de Porto Velho, fará a cobertura completa do evento. Nesta 'Senhora Matéria', trazemos entrevista com Daniel Zen, um dos organizadores do evento, realizada por Vinicius Lemos, também disponível no Fan Rock. (Fernando Rosa).

Vinicius Lemos - O festival Varadouro acontece pela primeira vez no próximo dia 19 de novembro, mas ele é o herdeiro natural do Guerrilha Rock, que aconteceu mais ou menos na mesma época do ano passado. Por que a mudança de nome?

Daniel Zen - O nome "Guerrilha" trazia implícito uma idéia de belicosidade, um quê de incitação à violência. Já o nome "Varadouro", que significa, aqui na Amazônia, os caminhos que os povos da floresta abrem no meio da selva para desenvolver suas atividades extrativistas e agrícolas, é um nome que traduz esse anseio de busca por caminhos por onde a cena independente possa trilhar sua caminhada e escoar sua produção.

Vinicius Lemos - Qual é a importância que vocês, da organização, vêem na realização desse festival para o rock de Rio Branco?

Daniel Zen - Uma importância tremenda, pra dar visibilidade a tudo que vem ocorrendo na cena local, principalmente com as parcerias que estamos filmando com o pessoal da imprensa especializada para fazer a cobertura do festival, como os sites FanROck e Senhor F, o programa Alto-Falante, da TV Cultura, e o AmazonSat, sem contar o apoio da imprensa local que tem sido uma constante parceira em todos os eventos.

Vinicius Lemos - Dentro de toda essa importância numa estréia de um festival, qual foi o rumo de formato que a organização pensou e como chegou ao que irá acontecer?

Daniel Zen - Inicialmente queríamos repetir a fórmula utilizada no Guerrilha, até pra tentar manter um pouco da tradição, já que já estávamos mudando de nome... Seriam então dois dias, com 5 ou 6 bandas em cada dia. Depois, com as parcerias e restrições orçamentárias, vimos que seria mais viável em um dia só, com 10 bandas, mais ou menos como foi agora o 'Live'n Louder', em Sampa. Fica um pouco apertado, mas dá pra conciliar.

Vinicius Lemos - Mesmo mudando o nome, a importância aumenta por causa do crescimento do mercado independente e a inteiração de outras cenas. Diante disso, qual é a importância da ida do Autoramas e da Vanguart, de Cuiabá, para o festival?

Daniel Zen - Além de oferecer ao público a oportunidade de conhecer duas ótimas bandas de outros estados, a idéia ao trazê-las também é de começar a interagir, inserir o Acre e Rondônia no circuito nacional do independente, trocar idéias e experiências. a Vanguart, por exemplo, esteve envolvida com a organização do festival Calango, de grande importância na cena nacional. o Autoramas, por sua vez, foi agraciado recentemente com três prêmios importantes no VMB. Isso por si só já justifica a vinda deles, pois a maneira como eles vêm encarando o independente mostra um profissionalismo extremo.

Vinicius Lemos - Agora pensando mais no que as bandas locais do Acre estão esperando disso. Como está essa expectativa entre as bandas que participarão?

Daniel Zen - A expectativa é das melhores possíveis. Tocar em um evento dessa magnitude, dividindo palco com bandas que são referência e com a cobertura da imprensa especializada é sem dúvida, uma grande oportunidade para todas elas.

Vinicius Lemos - Falando em público. Qual seria a expectativa real da organização?

Daniel Zen - De 2000 a 2500 pessoas para ser bem realista. Até porque a capacidade do local é de 3000 pessoas.

Vinicius Lemos - O Varadouro sinaliza como um marco não somente na cena de Rio Branco, mas para toda uma região que não havia entrado ainda no cenário independente nacional, o que deve acontecer por causa do Autoramas, Vanguart, e dos sites FanROck e Senhor F, e ainda das coberturas televisivas. Mas a duvida fica, o Varadouro é um resultado de uma evolução ou a evolução vem pelo Varadouro?

Daniel Zen - Acredito que as duas coisas. O trabalho autoral das bandas de Rio Branco é que tem sido o termômetro e o fio condutor para tudo o que está acontecendo aqui. O lançamento do cd dos Los Porongas, a gravação do cd da Stigma, que inclusive terá de mudar de nome por problemas com o registro, o surgimento de outras bandas com trabalho próprio, tudo isso induziu o surgimento de eventos destinados ao trabalho autoral e também ao nascimento do selo fonográfico Catraia Records.

Vinicius Lemos - Para a realização do Varadouro, vocês criaram uma parceria com uma casa de shows local, já tradicional no ramo de eventos, mas nem sempre ligada ao rock. A grande discussão nacional entre os produtores de rock independente é que a cadeia de produção que envolve o rock fique na mãos das pessoas que militam. Como está sendo realizada essa parceria e no que isso pode validar e não sair dessa questão?

Daniel Zen - Bom, quando se faz esse tipo de parceria há de se ter o cuidado para não acontecer um desvirtuamento quanto à proposta do evento. Nesse caso, a escolha das bandas ficou ao encargo da mesma equipe que cuidou do Guerrilha no ano passado. A questão é que como optamos por trazer banda de outros estados, o número de bandas locais e de Rondônia será reduzido, o que não significa retaliação... Afinal de contas, a coisa está nascendo agora e a tendência é crescer para aumentar o número de bandas. Há que se ter um pouco de paciência também, porque não dá pra começar grande demais, com megalomania, e depois ter de retringir em virtude de questões orçamentárias.

Vinicius Lemos - Qual é a importância que a criação do Catraia Records tem na realização desse festival?

Daniel Zen - A Catraia entra como parceira do festival, com aporte logístico e recursos humanos para o trabalho. O mais importante, contudo, é a visibilidade para o trabalho das bandas que já compõem o catálogo preliminar do selo e, via de conseqüência, para o próprio selo. Dar visibilidade ao trabalho em outras praças que não nossa própria cidade é o que de mais proveitosos poderemos colher.

Vinicius Lemos - Falando em parcerias, conte para o leitor do nosso site, qual a importância e como aconteceu a parceria com o FanROck?

Daniel Zen - Em verdade, o FanRock já vem desempenhando uma "parceria tácita" há muito tempo, através da cobertura dos shows das bandas dos dois estados, levando para a rede mundial toda a movimentação que ocorre por aqui em termos de rock independente. Nas idas e vindas das bandas dos dois estados, principalmente Porongas e Stigma, a aproximação foi natural, o rock tem essa coisa da agregação, da união. Sem contar que estará vindo, dentro em breve, o selo FanROck Discos, mais um elemento importante para o crescimento e consolidação da cena do extremo norte ocidental desse nosso Brasilzão.

Vinicius Lemos - E qual é a banda que lhe causa pessoalmente mais expectativa de ver o show?

Daniel Zen - Além do Autoramas e da Vanguart, que são shows que eu nunca vi, os da Stigma, dos Porongas e da Quilomboclada, que são bandas que em tudo pra estourar não só na região, mas em nível nacional.

Vinicius Lemos é um dos editores do site FanRock, de Porto Velho.

 
 
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Edição 54
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